Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão).
A juíza Marixa Fabiane encerrou, por volta de 4 horas e 15 minutos desta quinta-feira (22), a terceira sessão do julgamento sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio. Após mais de 19 horas de duração do julgamento, o depoimento do braço-direito do goleiro Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o "Macarrão", foi fundamental para esclarecer o que aconteceu com a modelo e pode mudar os rumos do caso.
Durante o julgamento, "Macarrão" chorou muito, incriminou o goleiro Bruno e afirmou que ele seria o mandante do crime. No entanto, ele não confirmou a participação de Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola", no crime.
Segundo o réu, ele se sente aliviado por contar o que sabe sobre o desaparecimento e morte de Eliza. "Macarrão" afirmou que não prejudicou o amigo, mas o que aconteceu foi o contrário. "Não podem falar que fui eu que acabei com a vida e a carreira de Bruno. Foi ele que acabou com a minha", disse.
Luiz Henrique Ferreira Romão disse ainda que seu silêncio acabou prejudicando outras pessoas envolvidas no caso. "Quero pedir perdão para a Fernanda, Elenílson e Emerson porque estava acontecendo algumas coisas comigo que não pude revelar nestes dois anos", acrescentou.
Segundo "Macarrão", no dia 10 de junho de 2010, ele teria levado Eliza Samudio, a mando do goleiro, para um local próximo à Toca da Raposa. No lugar combinado, alguém desceu de um Palio preto e retirou Eliza Samudio do EcoSport. "Macarrão" e o primo do goleiro, Jorge Luiz, que também estavam no veículo não desceram e o braço-direito de Bruno arrancou o carro.
Após deixar Eliza no local indicado pelo goleiro Bruno, "Macarrão" e Jorge voltaram para o sítio. Nesse momento, Luiz Henrique Romão chorava muito e foi chamado de "bundão" pelo primo do atleta. Ainda no sítio, "Macarrão" teria contado tudo que aconteceu para Bruno, que simplesmente respondeu: "Tá tranquilo" (sic).
"Macarrão" não soube dizer à juíza Marixa Fabiane para quem Eliza Samudio foi entregue, nem quantas pessoas estariam no Palio preto. Além disso, em nenhum momento o réu citou o nome do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola", porém a acusação apontou várias ligações entre "Bola" e "Macarrão" na data do crime. Houve também uma mensagem do ex-policial para Luiz Henrique no dia em que a Polícia Civil estourou o sítio do goleiro Bruno, onde Dayanne Rodrigues estaria com o filho do goleiro e Eliza.
Após o fim da sessão, o promotor do caso, Henry Wagner Vasconcelos, avaliou que o réu confessou apenas parte do crime. "Trata-se de uma confissão muitíssimo inteligente, até porque a promotoria ja tinha sinalizado esperar uma confissão em algum grau do réu do caso", explicou.
Ainda de acordo com o promotor, a atribuição da ordenação e articulação da morte de Eliza ao goleiro Bruno também pode ser uma estratégia. "Não seria inteligente confessar algo sem apontar o Bruno. Isso neutralizaria os efeitos de sua confissão, já que ele pegaria uma pena elevada e praticamente não seria beneficiado pela redução de pena".
Henry comemorou porém a atitude do réu. Segundo ele, esta é a primeira vez que um acusado vivo impõe os crimes ao goleiro Bruno, mas ele ressalta que "Macarrão" não somente intuiu que a modelo seria assassinada, mas sabia sobre os planos do atleta para matar a ex-amante.
Alerta
Pressentindo que Bruno estaria levando Eliza para a morte, "Macarrão" alertou o goleiro: "Bruno, deixa essa menina em paz, pois o Jorge já esteve preso, o Cleiton já esteve preso". E acrescentou: "Eu não sou um vagabundo. Qualquer coisa que acontecer a turma vai colocar a culpa em mim, pois eu sou a corda mais fraca".
Mas o goleiro não deu ouvidos aos amigos e respondeu: "Eu sou pica, deixa comigo. Aqui é o Bruno". "Macarrão" então pediu que o amigo lhe contasse o que estava planejando. "Cara, me conta o que está acontecendo", disse "Macarrão" para Bruno.
O réu contou ainda que notou que o goleiro estava diferente. Chorando, no Fórum, "Macarrão" disse: "Notei na aparência do Bruno que tinha um clima estranho".
Fonte: Associação do Ministério Público de Minas Gerais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário